Ciclo de Conferências VidaGO

A experiência VidaGO começa a espalhar-se e o Ciclo de Conferências que está a decorrer em Vidago, no Balneário Pedagógico, começa a ganhar fama.

Depois da primeira conferência realizada no passado dia 11 de junho, noticiada na semana passada, já se realizaram mais duas conferências, no passado dia 13 de junho, pelo Dr. Pedro Silva, Diretor de Produção do Centro Cultural Vila Flor, de Guimarães, com conferência intitulada “Produção a partir da criação”; e, dia 18 de junho, a conferência “Viagen(s), Encontro(s) e Desencontro(s), pelo Professor Doutor Joaquim Escola, da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro.

Ambas as conferências de que aqui se faz notícia foram de elevada qualidade. Esta qualidade advém de uma aprendizagem acessível a todos sobre assuntos que aparentemente são descontextualizados da nossa realidade do dia-a-dia, mas que efetivamente não o são. Diariamente, todos somos chamados a produzir, a programar. E se temos competência, capacidade para fazer algo – este algo pode ser a grande ou pequena escala, com maior ou menor envolvimento de pessoas ou territórios, instituições, população, devemos arriscar e fazer. É Como este projeto VidaGO, podia-se ficar pelas intenções, podia-se fazer uma versão minimalista, dentro da escola, para os que vivem no “casulo”, professores e alunos, mas, não estamos a fazer o projeto completo, abrimos para a comunidade, porque houve capacidade para o fazer. E há a satisfação de ver a população a aderir gradualmente, de ver as pessoas a fotografar os trabalhos expostos na fachada do grande hotel, ou no Balneário Pedagógico.

Muitas vezes produzir é fazer opções e o Dr. Pedro Silva, evidenciou como se processou a ascensão do Centro Cultural Vila Flor em Guimarães / Museu de Arte Contemporânea, Centro Internacional de Artes José de Guimarães, neste momento uma das principais referências culturais do norte de Portugal. Quando houve a decisão de exponenciar estes espaços para um patamar elevado na cultura portuguesa, criou-se uma equipa de jovens recém-formados na área, profissionalizou-se a equipa, com Diretor Artístico, Diretor de Produção, técnicos de luz, de som, … Deixou de ser a divisão cultural da Câmara Municipal, que apesar da boa vontade e das boas intenções não tinha o know-how suficiente para projetar esta, hoje referência mesmo nacional, para patamares que, entretanto, logrou alcançar.

Produzir é … depende. Do campo ou área; dos recursos (humanos, técnicos, financeiros, …); do sucesso que se pretende.

Já Joaquim Escola, fez uma retrospetiva brilhante sobre viagens. Na história, na cultura, na religião, na educação, na perspetiva da atualidade.

Fez-se referência à nossa “viagem” enquanto seres humanos, viagem que nos permite encontrar, às vezes cruzar, com outros seres humanos. Quando nos encontramos é para deixar a nossa marcar, receber marcas dessas outras pessoas.

Uma vez que o projeto VidaGO está enquadrado pelas comemorações V Centenário da Circum-navegação de Fernão de Magalhães, patrono do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome, fez-se referência ao feito do navegador. De há 500 anos para cá acumulou-se um vasto saber, um vasto conhecimento que nos fez evoluir, Portugal com as viagens de Fernão de Magalhães, Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral e outros navegadores deu mundos ao mundo, contribuiu para mundializar, para a mundialização. Assume-se hoje mundialização como sinónimo de globalização, no entanto, à frente deste processo temos potências económicas que esmagam o globo com o seu peso e influencia e nivela-se tudo, desde a maneira de vestir, o que se come, o que se vê.

Nesta globalização destaca-se o “Homo Viator”, expressão latina usada por um autor para designar este homem da atualidade, que se desloca, com uma mobilidade a uma escala nunca antes vista.

Há uma certa dose de experimentar, como era o caso dos nossos navegadores.

Hoje os mares são outros, faz-se a analogia da imensa informação a um mar, navega-se para obter informação. Tudo está ligado nestes mares de informação. Fernão de Magalhães decerto pretendia algo do género, ligar o mundo.

Dado o estado do mundo, esta “viagem” encalha muitas vezes na diferença, na intolerância. Pois, também há “viagens” deste tipo, protagonizadas por imensas massas humanas, de migrantes, refugiados, …

Na plateia havia muitos professores. Também eles fazem uma “viagem”. O aluno não escolhe o professor. Este surge perante o aluno, designado por uma direção e começa ali uma “viagem”, normalmente, de dois a quatro anos, consoante o ciclo de ensino, em que o aluno é conduzido, num processo, em que o aluno, na conclusão é ele quem escolhe o professor, o seu professor. Um processo que se destaca pela imensa disponibilidade do professor para o seu aluno, para o conduzir a bom “porto”, de competências, conhecimentos, responsabilidade, autonomia, …

Esta “viagem” que continuará até ao longínquo cosmos, ou até ao virar da esquina, numa lógica de “encontros”, muitos que nos marcam.
Este ciclo de conferências, promovido pela EB Vidago, no âmbito do projeto VidaGO que está a desenvolver, está a ser excelente, um ponto de encontro neste género de “viagens na minha terra”.

Agradecemos mais uma vez às termas de Chaves, à Vidagus Termas pela disponibilização do espaço do Balneário Pedagógico para a realização desta conferência.

Agradecemos ainda à Câmara Municipal de Chaves, ao Senhor Rui Branco do Primavera Perfume Hotel, à “Consurema” pelo apoio dado para a realização destas conferências e aos conferencistas pela disponibilidade e pela qualidade das conferências.

Aproveitamos para convidar a população a assistir, no Balneário Pedagógico de Vidago, à última conferência deste ciclo, agendada para o próximo dia 25 de Junho, sempre pelas 21.30 horas, sendo conferencista António Coelho, alpinista profissional, com o tema “Entre o Gerês e os Himalaias”.

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